Archive for novembro 2011

O amor bateu...


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...em minha porta e eu abri...
' É como se fosse as badaladas de um relógio central...'

Senhoras e senhores, a história que irei contar nada tem haver com algo que tenha como expressar por palavras, mas sim, sentir com o coração. Procurar alguém que possa dividir uma vida, que possa ligar durante a noite para chorar, sorrir, ou apenas contar como foi o dia, procurar uma pessoa que possa ir com você em um bar, ouvir MPB, falar sobre as coisas mais fúteis e mais importantes do mundo, que possa sentar com você na cama, ouvir um Jazz, ou talvez te apresentar uma cantora qual você não conhecia e simplesmente se apaixone, é o que quase todos procuram, ou ao menos eu procuro. E quando se sente que a oportunidade de que isso pode acontecer chegou perto, é um sentimento nostálgico, principalmente quando não se sabe o rumo que isso pode tomar...
Não queria ir, mas fui. Existia em mim uma sensação que nada de bom iria acontecer, até que no terceiro dia, aconteceu o que fez minha ida ser perfeita. ‘Turn me on’, era isso que eu queria, que alguém acende-se a chama do meu coração, mesmo que fosse por algumas horas. Agora, são nas horas que penso. Nas horas de distância, nessas insuportáveis quatro horas. O que pode acontecer agora? E essa saudade sem fim que não sai de mim? São questões que eu não sei como responder, e nem como resolver. Mas essa sensação ao mesmo tempo que é maravilhosa, também é agonizante, seria talvez por causa desse meu caráter controverso, ou talvez seja por estar enfim voltando a gostar de outra pessoa que possa me completar. Acho que não tem como ter a resposta, pelo menos ainda não. Mas se o amor estiver batendo em minha porta, senhoras e senhores, eu irei com toda a certeza dar um jeito de abri-la.
‘Cabelos desgrenhados, lisos caracolados. Olhos de azeviche? Não, castanhos. Mas no escuro, azeviche pareciam. Tic tac tic tac tic tac... As horas passavam rápido demais. Seu cabelo tem uma textura diferente! Defina textura? Só um cabeleireiro que poderia definir. O bater do coração parecia às badaladas de um relógio central quando se coloca o ouvido sobre o peito.  Um sotaque dito baixo, quase sussurrado. Budista, astrologia, gêmeos. Segurando firme as mãos. Tic tac tic tac tic tac... Ainda? Não deixarei ir. E se algo acontecer? Segurança, foi dita essa palavra anteriormente. Não coloque medo!  Desejo, música , Norah Jones. Desce, vire à esquerda, vire à direita, vire à esquerda, vire à direita, siga o asfalto. Dorme, dorme, fique bem’.

Regresso - Parte I


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Seu coração saltava pela boca. Os olhos dele fixaram apenas em uma direção e tudo a sua volta já não era mais visível. Aquela casa com seu exterior completamente pintado de azul e o portão de cor branca acelerava seus passos e penetrava em seus olhos. Já se encontrava parado em frente ao portão e com o dedo ao botão do interfone. Os motivos que o levaram até ali eram uma incógnita profunda, não se sabia ao certo quais as suas intenções naquela casa, que nunca entrará. Como já era previsto, o botão foi apertado. Uma linda voz feminina perguntando quem era, soava por aquela pequena caixa tecnológica e acinzentada.
- Sou eu, Miguel.
Um silêncio inquietante surgiu após sua identificação e naquela pequena caixa já não se ouvia mais nada, apenas uma impressão de que a pessoa que atendeu ao interfone, não gostou ou se surpreendeu ao ouvir a voz e o nome dito.
- Camila?! É você? Por favor, responda.
- Um minuto Miguel. Estou descendo.

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Colarinho


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Andava muito preocupada nos últimos dias. Sentia receio de confirmar as suas suspeitas de que seu namorado a traia. Naquela noite, o medo veio e a deixou muito assustada. Beirava às oito horas e seu namorado havia saído. Ele chegou em casa, precisamente as sete da noite, tomou um banho e disse a ela que iria a um jantar de negócios com seu patrão. Ela, desconfiada, foi diretamente na roupa suja que ele havia deixado jogada ao pé da cama, que trocará quando saiu de casa pela segunda vez. As lagrimas escorriam sobre sua face decepcionada, não acreditava que três anos de namoro seriam jogados fora, simplesmente, devido a uma mancha de batom no colarinho de sua blusa e um bilhete onde estará anotado um endereço de hotel, com o número do quarto e o horário preciso em que ele disse que estaria no jantar de operação comercial com seu chefe. Mesmo chateada e muito melancólica por causa de tal descoberta, ela se arrumará para ir ao hotel, em que encontrará o endereço no recado deparado no papel ao bolso da roupa suja de seu namorado.
Mulher de instinto forte, não se via motivos para sua desistência de não flagrar o companheiro a traindo, por mais que isso a deixasse bastante desorientada, não ligava para o depois, naquele momento, agia impulsivamente. Colocou um vestido longo, vermelho e bastante decotado, que por tantas vezes, ela já havia escutado de seu companheiro que era a roupa que ele mais gostava que ela vestisse e que aquela vestimenta havia sido feita sobre medida para seu corpo. Pegou um batom rosa bem claro e finalizou passando em seus lábios, após já estar prontamente maquiada. Foi em direção ao hotel e chegando lá, convenceu o recepcionista a lhe dar uma copia da chave do quarto 1478, que por sua vez, não fez nenhum tipo de contestação em dar-lhe a chave. Sentiu aquilo bastante estranho, conseguir o que queria de maneira tão fácil, mas seu sistema nervoso já estava tão aguçado que não conseguia pensar em mais nada, a não ser em seu namorado na cama com outra. De pé para a entrada do aposento do hotel, estranhou novamente a porta estar entre aberta e ela não necessitar da chave, mas mesmo assim continuou e adentrou aquele quarto de hotel, já com a respiração ofegante e segurando as lagrimas, para não demonstrar-se fraca perante a situação. Passou por uma pequena sala que logo em seguida se via uma passagem sem porta para o quarto. Antes de entrar ela ficou parada por um momento, mesmo ainda não se deparando com nada e sem haver ninguém naquela sala, ela estava congelada, observando o lugar minuciosamente. “Como ele nunca me trouxe em um hotel tão bonito como esse? Três anos de namoro e nunca podíamos freqüentar lugares tão caros da mameira que este parece ser”, pensava ainda pasma com a situação. Logo, seu momento de reflexão se foi e ela entrou no quarto, e para sua surpresa, não havia nada. Lá não estava seu companheiro, não havia uma amante e nem nada do que passava por sua mente. Apenas um coração feito de pétalas de rosas vermelhas sobre a cama de casal e uma garrafa de champanhe na cabeceira da cama, aliás, aquele era seu espumante preferido, Champagne Moet & Chandon Nectar Imperial. Naquele momento, ainda não acreditava na inocência de seu namorado, e foi logo ver o que havia no banheiro. Entrando, ela se deparou com uma caixa de veludo preta pequena onde se guardam jóias, em cima da pia de mármore, onde de frente havia um espelho que ao se olhar para ele, via-se a entrada do cômodo. Ela caminhou até a caixa, abriu-a e se deparou com um anel de brilhantes, ouro 18 quilates. Todos os motivos que a levaram até aquele quarto de hotel, já havia se perdido em suas memórias, e não conseguia pensar e olhar para outra coisa, quando ouve uma voz vinda da entrada do toalete. “Quer se casar comigo?”, dizia ele. Ela levantará o rosto por um momento e olhará para a imagem de seu futuro noivo refletido pelo espelho. As lágrimas que tanto segurou, naquele instante, fluíam de seu semblante calmo, passando pelos seus lábios que se moviam dizendo “sim”.

Escuridão


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Somos eu, você e um segredo. 

“Chega à hora de dormir”, a frase que ouve de sua mãe e que a assusta. Ela odeia tanto que preferia que o dia não escurecesse ou que não houvesse noites. Nicole, com apenas treze anos de idade, já sabe bem como é a escuridão. A voz de sua mãe se repete dizendo, “Hora de dormir, criança. Vá para cama, seu pai daqui a pouco irá dar-lhe boa noite”. Aquelas palavras penetram seu corpo de uma forma intensa e faz com que sua carne fique tremula e os pelos de seu corpo arrepiem. Com um olhar triste, de quem quer dizer algo à sua mãe e não pode, ela tenta falar, mas não consegue. Sua voz não alcança um tom alto necessário para que sua mãe consiga ouvir suas suplicas. Como alguém que espera um mau presságio, ela obedece a sua mãe, vai pra o quarto e deita-se. Seu coração bate mais forte a cada passo que ela ouve a subir a escada. Prontamente ela coloca a camisola vermelha que ele tanto gosta.
A porta se abre e ela vê os olhos de seu pai, que brilham intensamente vendo sua face assustada na cama. Ao puxar sua coberta, ele sorri feliz ao ver o que ela está vestindo. Olhando-a, ele diz a ela que a única coisa que deseja é um beijo de boa noite, passa a mão no seu rosto e a abraça. Apertando-a muito forte, arrancando seu ar. “Criança, você é bela, somos eu, você e um segredo”, diz ele cobiçando-a. Ela não grita mesmo sabendo que é errado, mente e respira, desejando que consiga ser forte junto de sua beleza. “Será que a minha mãe nunca soube?”, indaga-se todas as noites. É apenas uma parte que ela não pode contar, mas sobre a escuridão, ela já a conhece bem!